sexta-feira, 21 de maio de 2010

Espiritualismo


"Dreaming of the Sea" by $zilla774
Fonte:DevianART




Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente…

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?

Mas na imensa extensão onde se esconde
O inconsciente imortal só me responde
Um bramido, um queixume e nada mais.


(Antero de Quental)

4 comentários:

...EU VOU GRITAR PRA TODO MUNDO OUVIR... disse...

Olá Cynthia!

À nossa volta existem muitos mais mistérios do que imaginamos...Nem sei se o termo mistério é o mais indicado,,,nós é que não o somos suficientemente evoluidos para os perceber.

Bela e intropectiva poesia...como seu autor!!

Saudades,beijos!

Sonia Regina.

Léta disse...

Olá Cynthia, estava sentindo falta de seus belos textos,
Beijos saudosos,
MARLETE

FERNANDO COSTA disse...

Bacanérrrrrrrrrrrimo - Conteúdo impecável - musica absolutamente tocante - Vou ficar mais um pouco e sentir teu espaço...

Super abraço - E muita palavra !

Carmem teresa disse...

Antero de Quental merece ser relembrado sempre, não como um autor das coisas vagantes e buscas insastifeitas do romantismo, mas como um autor de densa construção semântica, que em lado obscuro, grave, tragico,triste, pesado propõe a interseção do eu-lírico com a natureza, do homem com o universo, e, em ultima análise, inquieta-se com o questionamento perene do homem quanto à significação da existência... 

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