Noturno - Antero de Quental
Vincent Van Gogh - Noite estreladaMe é agradável saber que Antero de Quental era meu tio-trisavô por parte de mãe e que Eric Maria Remark era meu tio-avô por parte de pai. Só não me é agradável constatar que não herdei deles, o talento para escrever! Isto posto, justifico não colocar nada de minha autoria hoje. Falta total de inspiração! Resolvi recorrer então, a um verso de Antero de Quental, do qual gosto muito:
Noturno
Espírito que passas, quando o vento
adormece no mar e surge a Lua,
filho esquivo da noite que flutua,
tu, só, entendes bem o meu tormento...
Como um canto longínquo - triste e lento -
que voga e sutilmente se insinua,
sobre o meu coração que tumultua,
tu vestes pouco a pouco o esquecimento...
A ti confio o sonho em que me leva
um instinto de luz, rompendo a treva,
buscando entre visões o eterno Bem.
E tu entendes o meu mal sem nome,
a febre de Ideal, que me consome,
tu, só, Gênio da Noite, e mais ninguém.
(ANTERO DE QUENTAL)
